Como definir a faixa salarial nas vagas para desenvolvedores?

A divulgação da faixa salarial no anúncio da vaga de emprego é um dos temas polêmicos entre as pessoas do RH. Isso porque algumas acreditam que a exposição vai causar o efeito panfletagem, ou seja, atrair centenas de currículos de pessoas nem tão qualificadas assim. Mas outros recruiters julgam que a divulgação do salário revela a franqueza da empresa no processo de recrutamento. 

Querendo ou não, o salário sempre foi um tabu. De um lado, a empresa que não se sente desconfortável em abordar o tema. De outro, o(a) profissional que não sabe muito bem como apresentar a pretensão salarial no currículo. 

E quando trazemos essa reflexão para o mercado de recrutamento tech, o caldo engrossa um pouco mais. Isso porque o trabalho dos profissionais de tecnologia foi afetado pela pandemia da Covid-19

Em poucos meses, as pessoas passaram a consumir mais conteúdos digitais. Além disso, o home office imperou. Assim, a transformação digital foi acelerada, o que levou mais empresas e startups a contratarem pessoas desenvolvedoras.

Por consequência, o mercado que já sofria com a escassez de mão de obra qualificada, ficou ainda mais disputado. 

Preencher uma vaga em aberto para developer experiente parece um luxo. Por essas razões, o tema faixa salarial foi colocado mais uma vez em evidência. 

Então, para você que é do RH, acompanhe as dicas deste conteúdo de como tratar a faixa salarial no anúncio da vaga para DEV, já que não existe um piso salarial como ocorre em tantas carreiras. 

O que é tabela salarial? 

O salário da equipe não pode ser algo subjetivo. É importante ter uma tabela salarial interna. 

Ela é a base para programas de promoção e contratação de novos(as) profissionais. Sendo assim, o seu RH não pode abrir mão desse recurso. 

A tabela deve conter a variação do menor para o maior salário que um talento do seu time pode ter. 

Além disso, a tabela deve levar em consideração o salário para perfis Júnior, Pleno e Sênior, bem como estagiários. 

O estudo deve ser feito em conjunto com outros setores, como o administrativo e o financeiro. Enfim, deve-se observar o mercado. Os principais termômetros estão em:

  • vagas de emprego abertas pelos seus concorrentes;
  • vagas de sites de emprego;
  • tabelas dos sindicatos;
  • pesquisas de mercado; 
  • os próprios currículos das pessoas candidatas. 

Esses, em suma, são bons termômetros para você definir a tabela salarial dos cargos da sua empresa ou startup. Lembre-se que é importante ter em mente o faturamento da empresa, bem como o planejamento estratégico atualizado. Assim, você consegue evitar uma folha de pagamento muito pesada para o seu orçamento. 

É importante frisar que a tabela salarial fornece informações para: 

  • Novas possibilidades de remuneração para funcionários(as); 
  • Política de promoções; 
  • Redução do risco de desigualdades salariais entre pessoas com a mesma formação e nível; 
  • Maior previsibilidade nas ações do Departamento Financeiro. 

Qual é a faixa salarial de um desenvolvedor? 

Os salários da pessoa desenvolvedora são atrativos no Brasil. Embora outros países, como os Estados Unidos, tenham faixas salariais ainda mais elevadas. 

Não é raro ver salários de R$ 10 mil ou R$ 15 mil nas vagas para DEVs no mercado brasileiro, o que é positivo, considerando que o salário-mínimo nacional é de R$ 1.100,00. 

Portanto, ao anunciar a sua vaga de emprego para DEVs, atente-se ao valor de mercado. Para lhe ajudar, separamos algumas médias pagas na maioria das empresas para as funções abaixo, cujo perfil é Pleno: 

  • Front-end: R$ 5,5 mil a R$ 7,5 mil; 
  • Back-end:  R$ 6,1 mil a R$ 8,5 mil;
  • Mobile Flutter: R$ 5 mil a R$ 7,5 mil;
  • Mobile iOS: R$ 6 mil a R$ 9 mil;
  • Mobile Android: R$ 6 mil a R$ 9 mil; 
  • Mobile React Native: R$ 5 mil a R$ 7,5 mil; 
  • DevOps: R$ 6 mil a R$ 9 mil; 
  • Pessoa Q.A: R$ 6 mil a R$ 9 mil; 
  • Full-stack: R$ 6 mil a R$ 8,5 mil;
  • Tech Lead: R$ 7 mil a R$ 9,5 mil. 

Consulte a faixa salarial elaborada pela Coodesh aqui

Mercado estrangeiro 

Além das empresas brasileiras, o DEV pode trabalhar remotamente nas internacionais, se dominar outro idioma, ou ainda mudar-se para o país da vaga.  

Isso porque o código é universal, ou seja, um desenvolvedor que utiliza Python nos Estados Unidos, trabalha exatamente da mesma forma que um DEV brasileiro. 

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Isso não ocorre em outras profissões, como a de engenheiro civil, que precisa se adaptar ao perfil do mercado da construção civil norte-americano. 

Assim, as empresas nacionais têm que atrair a atenção do DEV e ainda concorrer com as organizações estrangeiras, que oferecem altíssimos salários. 

Segundo a pesquisa CodinGame, divulgada no início deste ano, o salário médio das profissões mais bem pagas na área de desenvolvimento é de US$ 55 mil por ano, ou seja, o equivalente a R$ 24 mil por mês no Brasil. 

Como divulgar salários na descrição? 

Uma boa dica é informar as variações, ou seja, mostrar que a faixa salarial pode ir de um valor mínimo para um máximo. 

Outro detalhe é informar claramente se a vaga é no regime CLT ou PJ. Enfim, a contratação de profissionais PJ tem crescido nas startups, que buscam processos mais rápidos e menos burocráticos, além da redução de gastos. 

Sem falar na desoneração da folha de pagamento, pois os contratos PJ desobrigam a empresa de providenciar benefícios da CLT, como:

  • 13º salário; 
  • Adicional por hora extra;
  • Férias remuneradas;
  • FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço);
  • INSS (Instituto Nacional do Seguro Social);
  • Licença-maternidade;
  • Seguro-desemprego em caso de demissão.

Por conta disso, o salário definido em contrato com a pessoa desenvolvedora PJ costuma ser maior que na CLT, aproximadamente 1,4 ou 1,6 vezes o salário do celetista. 

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Afinal, divulgar ou não a faixa salarial? 

“Salário a combinar”: esse é um termo comum em 42% das vagas de emprego anunciadas na plataforma InfoJobs. As demais continham valores. 

Divulgar ou não a faixa salarial vai depender das políticas internas da empresa. Mas, de certa forma, passa uma sensação negativa para a pessoa candidata. 

Ela pode se sentir vivendo um verdadeiro leilão. Teme-se que a pessoa candidata que aceitar o menor salário será contratada. 

Felizmente, não é assim que funciona com todas, visto que os gestores têm clara percepção de que quanto mais qualificado e bem-remunerado é o(a) profissional, melhor desempenho ele oferece para a empresa. 

Conclusão 

A faixa salarial pode definir a atração de pessoas candidatas mais qualificadas para a sua vaga, desde que elas estejam dentro dos padrões do mercado. Do contrário, se estiverem bem abaixo da expectativa, a divulgação do salário na vaga de emprego pode afugentar as pessoas candidatas. 

Por essa razão, avalie todos os pontos envolvendo a exibição da remuneração. E não se esqueça de ter uma boa política de planos e cargos, bem como uma tabela salarial, pois é o essencial para ter sucesso na contratação de talentos tech. 

Para complementar, a Coodesh é uma HR Tech especializada em selecionar candidatos(as) qualificados(as) para os times de desenvolvimento. Temos uma plataforma exclusiva para empresas e startups cadastrarem suas vagas e gerenciarem os candidatos ou contar com a ajuda dos recruiters da Coodesh. 

Na nossa plataforma, inclusive, você pode divulgar a faixa salarial, mas também tem a opção de ocultá-la. Os algoritmos do sistema identificam os(as) candidatos(as) que procuram vagas com salários compatíveis. Gostou das dicas deste post? Confira como anunciar suas vagas tech na nossa plataforma.

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