Veja como o remote first é aplicado nas grandes empresas

remote first

Remote first: você é a favor ou contra esse modelo de trabalho? O trabalho remoto virou centro das atenções após a pandemia da Covid-19. Já foi alvo de críticas por empregadores milionários, como os donos da Tesla e da Apple. Mas é adorado pela maioria dos trabalhadores. 

O termo “remote first” significa o remoto em primeiro lugar. Portanto, dentro de uma empresa que tenha funções que podem ser exercidas em casa, a indicação do trabalho remoto sempre vem em primeiro lugar. 

Mas será que os resultados são os mesmos de um trabalho presencial? Conheça agora exemplos de grandes empresas, como o GitLab, a Buffer e a Zapier que adotaram o trabalho remoto, cortaram despesas e estão muito satisfeitas com os resultados, especialmente no crescimento de uma cultura organizacional. 

Remote first é o futuro do trabalho? 

Uma das grandes mudanças trazidas pela pandemia da Covid-19 foi o trabalho remoto. Isso porque nos picos da doença, as pessoas tiveram que evitar a aglomeração. A maioria das empresas mandou os funcionários para casa. 

Entretanto, muitas outras empresas já adotavam o home office. Esse modelo ainda não era tão conhecido (e defendido). Agora com a cobertura ampla da vacinação, os escritórios estão voltando a se encher. Fica a dúvida se as empresas vão conseguir reter talentos com esse modelo. 

Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) identificou que 20,4 milhões de trabalhadores têm ocupações que poderiam ser realizadas de forma remota. 

Aliás, essa fatia representa 24,1% do total de ocupados no mercado de trabalho brasileiro. 

Acredita-se, portanto, que o mercado de trabalho vai caminhar no futuro para o modelo híbrido. 

Raj Choudhury, professor da Harvard Business School e estudioso do trabalho remoto, considera que o modelo híbrido será a tendência dos próximos anos. 

Quais são os benefícios do remote first? 

A Buffer (um dos estudos de caso sobre trabalho remoto) trouxe dados nem tão surpreendentes sobre o home office. Isso porque já é possível imaginar que ele é bem recebido por funcionários. 

  • 67% dos trabalhadores dizem apoiar o trabalho remoto devido à flexibilidade na forma como gerenciam seu tempo; 
  • 62% dos trabalhadores afirmam que concordam com o trabalho remoto porque podem escolher seu local de trabalho. 

Financeiramente, a adoção do trabalho remoto também é vantajosa. Isso porque, segundo levantamento do FlexJobs, as pessoas economizam de US$ 2 mil a US$ 5 mil por ano porque não gastam com combustível, transporte coletivo nem com refeições fora de casa. 

Por outro lado, as empresas economizam com aluguel e despesas básicas, como água, luz, internet, cafezinho, entre outros. 

Para se ter uma ideia, a taxa de vacância de imóveis corporativos de alto padrão em São Paulo, capital, alcançou 24,72% no final de 2021, sendo considerada uma das taxas mais altas dos últimos anos. O número demonstra que, mesmo após o aparente controle da pandemia, as empresas ainda estão preferindo o all-remote. 

Por que grandes empresários reagem mal ao remoto?

Embora não seja regra geral, muitos grandes empresários reagem negativamente ao conceito de remote first. 

Elon Musk, por exemplo, tocou o dedo na ferida ao mandar os funcionários da Tesla de volta para o escritório para uma jornada de 40 horas por semana. A Apple também estipulou um rígido cronograma de retorno ao trabalho presencial. Mas a medida causou reações. Um grupo chamado Apple Together enviou uma carta à direção da Apple assinada por mais de 3 mil funcionários pedindo a adoção do home office em definitivo. 

A não aceitação do home office também causou críticas entre os empresários. O co-founder da Atlassian, Scott Farquhar, disse que a postura de Musk, por exemplo, é “algo dos anos 50”.

Como o GitLab teve resultados com o trabalho remoto? 

O GitLab possui 1,5 mil funcionários trabalhando remotamente em 65 países. Ele é um gerenciador de repositório de software que é baseado em Git e possui diversas funcionalidades, especialmente para o desenvolvedor de software.  

A empresa usa o termo “totalmente remoto” para resumir como é o modelo de trabalho na companhia. Isso significa que todos têm direito ao trabalho remoto, inclusive os executivos.

Além disso, é uma das poucas empresas com o cargo de Head of Remote, criado em 2019 para orquestrar o trabalho remoto nas equipes. 

O GitLab criou o Manifesto Remoto, que traz diretrizes, como: 

  1. Contratar e trabalhar em qualquer lugar do mundo;
  2. Horário de trabalho flexível;
  3. Anotar e registrar o conhecimento acima de explicações verbais;
  4. Processos escritos acima de treinamentos de trabalho; 
  5. Compartilhamento público de informações;
  6. Permissão de edição de documentos para todas as pessoas dos times; 
  7. Comunicação assíncrona;
  8. Resultados de trabalho acima de horas dedicadas;
  9. Canais de comunicação formal.

De modo geral, a empresa adotou o remote first como parte de sua cultura organizacional. Mas a própria empresa reconhece que nem todos os trabalhadores se adaptam ao remoto, dependendo do seu estilo de vida, do seu modo de organização, entre outros aspectos. 

“À medida que o GitLab cresceu, aprendemos muito sobre o que é preciso para construir e gerenciar uma equipe totalmente remota e queremos compartilhar esse conhecimento para ajudar outras pessoas a serem bem-sucedidas”, cita a empresa em seu site.

Como o Buffer adotou o remote first? 

Buffer é um aplicativo para web e mobile visando o gerenciamento de contas nas mais variadas redes sociais. A empresa detentora do aplicativo nasceu presencial em 2010, no Canadá. No entanto, desde 2015 é remota, abandonado de vez o escritório. 

Ela tem hoje 85 pessoas trabalhando remotamente em 15 países, atendendo a 4,5 milhões de usuários. A empresa reúne presencialmente seus funcionários pelo menos duas vezes por ano, cada vez em uma cidade diferente. 

O home office foi adotado antes mesmo da pandemia porque a organização percebeu que o trabalho presencial não vinha sendo mais útil. Além disso, era possível criar estratégias de remote first na empresa. 

Tanto é que, atualmente, a empresa tem vários relatórios e diagnósticos do trabalho remoto que servem para auxiliar as demais empresas que também querem e precisam adotar esse modelo. 

Entre as ferramentas que a equipe utiliza estão:

HipChat: é uma ferramenta de bate-papo em equipe que permite criar diferentes salas, além de ter conversas individuais.

Sqwiggle: é uma ferramenta de bate-papo por vídeo que ajuda você a manter contato com sua equipe quando está trabalhando remotamente.

Hackpad: é uma ferramenta colaborativa de edição de documentos, que nos permite criar e salvar documentos que todos podemos visualizar e trabalhar juntos.

Trello: mais conhecido dos brasileiros, o Trello é uma ferramenta de gestão de projetos com cartões e listas que podem ser monitoradas. 

Help Scout: é usado para gerenciar e-mails de suporte, sendo indicado para o contato com os clientes. 

Além disso, há outras boas práticas que podem ser conferidas no site da Buffer para empresas que desejam implantar ou melhorar o trabalho remoto e acompanhar o desempenho da equipe.  

Como o Zapier incentiva o trabalho remoto?

O Zapier é uma ferramenta de automatização que funciona baseado em workflows. Cada trabalho é iniciado por um trigger, que é um evento, e através dele é possível executar ações, que são as actions baseadas no evento inicial. Assim, com o Zapier é possível combinar vários aplicativos, como e-mail e redes sociais. 

A empresa foi fundada há mais de 10 anos de maneira remota. Atualmente, ela conta com aproximadamente 300 funcionários remotos em 28 países (e 17 fusos horários diferentes). 

Além de adotar o remote first, a organização também criou uma série de conteúdos no site institucional visando orientar as empresas a adotar boas práticas de home office, seja focado nos gestores ou nos funcionários. 

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Trabalho assíncrono e a sua importância 

Quando pensamos na cultura remote first, não podemos deixar de citar o trabalho assíncrono, ou seja, que não acontece ao mesmo tempo por todas as pessoas da equipe. 

Nesse sentido, embora haja um horário de referência, como o período comercial, é importante saber que cada membro do time pode desenvolver suas atividades em horários diferentes. 

Por conta disso, é muito importante que todas as ações estejam documentadas em alguma plataforma. Assim, o trabalho não irá ficar engessado porque não é possível checar uma informação ou outra com o colega ou o líder. 

Nesse sentido, cabe à empresa institucionalizar o trabalho assíncrono, criando uma política de uso e deixando isso bem claro à equipe. 

Em média, no entanto, 38% dos trabalhadores dizem que a sua empresa tem uma política de trabalho assíncrono. Portanto, atenção, gestores: olhem com mais cuidado para esse aspecto. 

Conclusão 

Para empresas que desejam aprimorar as práticas de home office e, consequentemente, adotar o remote first na sua cultura organizacional, é importante pesquisar as experiências bem-sucedidas que existem no mercado. 

Além disso, projetar essa visão no processo de recrutamento de novas pessoas que irão compor as equipes. Portanto, é necessário verificar se os candidatos têm fit com a empresa e, acima de tudo, se estão alinhados com o trabalho remoto. 

Para conhecer uma plataforma que atenda às suas necessidades no recrutamento de profissionais de tecnologia remotos, acesse o site da Coodesh. 

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Escrito por Gizele Silva

Formada em jornalismo, sou apaixonada por comunicação e tecnologia, além de adorar descobrir as soluções que o marketing de conteúdo traz aos negócios.

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