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Papel de um DevOps: quebrando barreiras e integrando equipes

papel de um devops

A área de desenvolvimento e de TI de uma empresa têm trajetórias parecidas, vivem pressões semelhantes e precisam entregar resultados condizentes à expectativa. Mas como integrar os dois setores, juntamente com as equipes de apoio, e alcançar a harmonia, mantendo a produtividade? Para saber como, é preciso contar com o papel de um DevOps. Saiba mais sobre essa carreira, que é uma das mais bem pagas do mundo.

A origem da palavra está ligada à development (dev) e operations (ops). O termo foi usado pela primeira vez no evento Velocity durante a palestra on-line de John Allspaw e Paul Hammond, realizada em 2009. A partir daí, Patrick Debois, que assistiu à palestra, teve a ideia de criar o evento DevOps Days, popularizando o termo na comunidade tech. O dia especial foi feito em várias partes do mundo, inclusive no Brasil.

E, por falar em Brasil, o país é considerado a quarta economia em aplicação do conceito DevOps, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, Índia e Suíça. Portanto, o DevOps é uma carreira e uma metodologia de trabalho. Confira sobre isso no próximo tópico.

O que é DevOps: como essa metodologia começou

O DevOps é considerado a evolução das metodologias ágeis. Ele é um conceito muito importante porque acompanha a dinâmica dos softwares.

Todo o processo de desenvolvimento, testagem e ajustes precisa do trabalho integrado da equipe. Ou seja, se diferencia em muito do processo praticado no início da indústria capitalista, no qual cada trabalhador acompanhava apenas uma etapa da fabricação de um produto.

Sendo assim, para monitorar esse trabalho conjunto e circular entre as duas equipes está o (a) profissional de DevOps. Os desafios existem, inevitavelmente.

Afinal de contas, o setor de desenvolvimento é dinâmico e precisa fazer ajustes para atender às necessidades do cliente final. Enquanto isso, o setor de TI deseja mudar o mínimo possível para manter a estabilidade e a segurança do sistema.

Portanto, os interesses podem ser contraditórios. Mas é preciso quebrar barreiras para que ambos tenham resultados satisfatórios através do papel de um DevOps.

Desse modo, empresas que têm uma gestão mais tradicional, com papéis distintos das equipes, precisam desenvolver esse novo paradigma para implantar a cultura DevOps. O resultado, certamente, se resume em mais agilidade e produtividade.

Formas de trabalho: como é a rotina

Basicamente, no mundo DevOps o trabalho não é linear, com começo, meio e fim. Mas sim é contínuo, pois as novas necessidades surgem a todo momento. Sendo assim, esse modelo se baseia em alguns pilares, como: integração, implantação e feedback contínuos.

Nesse sentido, toda a rotina gira em torno desses pilares. A integração é uma das fundamentais. Por isso, entre os métodos de trabalho estão os velhos conhecidos dos devs, como Scrum e Kanban.

Além disso, algumas ferramentas são mais utilizadas para facilitar a rotina dos DevOps, como:

  • no lançamento: jenkins, travis, teamcity;
  • na configuração: puppet, chef, ansible, cfengine;
  • na orquestração: zookeeper, noah, mesos;
  • no monitoramento, virtualização e conteinerização: AWS, OpenStack , vagrant, docker).

Mas há, de modo geral, algumas práticas que auxiliam os (as) profissionais da área, como as citadas a seguir: automação de infraestrutura; entrega contínua; a operacionalidade como prioridade principal.

Um DevOps está sempre se atualizando e estudando novas ferramentas

Papel de um DevOps: o que ele (a) não faz

Como a carreira é relativamente nova, surgem desconfianças e desconhecimentos em torno do (a) profissional, especialmente quando a empresa avisa que irá contratar alguém dessa área.

Portanto, é bom lembrar que o DevOps não significa que a pessoa que trabalha em operações será dispensada e que o dev irá assumir tudo sozinho. Não se trata de “NoOps”, já que os (as) profissionais continuam com seu relevante papel na rotina corporativa.

Além disso, DevOps não é apenas desenvolvimento ou apenas operações. Portanto, todos (as ) os (as) profissionais envolvidos (as) na criação de um produto ou sistema devem trabalhar de forma integrada e acompanhada pela pessoa responsável nessa função. Sendo assim, o status esperado é de “todos colaborando”.

Outro detalhe é que o papel de um DevOps não pode existir apenas na teoria. Dessa forma, não se trata de apenas deslocar um engenheiro e dizer que ele é um DevOps. É preciso, acima de tudo, adotar as mudanças pertinentes.

Papel de um DevOps: o que ele (a) faz

Como já foi dito inicialmente, a pessoa que se dedica a essa carreira atua simultaneamente na área de desenvolvimento e de operações.

Na prática, seu trabalho está envolvido no ciclo de planejamento, desenvolvimento, automação e serviço. Portanto, envolve todas as etapas até chegar ao resultado final.

Inicialmente, no planejamento define-se qual linguagem será usada, além de outros detalhes. Em seguida atribuem funções e metodologias. Logo depois, começa-se o trabalho, na prática, validando todo o planejamento e realizando os testes necessários. Já na última etapa, entrega-se o produto final, coletando e monitorando os feedbacks.

Salários: quanto se ganha nessa carreira

Os salários de um DevOps aqui no Brasil variam conforme a experiência de cada profissional e o porte da empresa. Mas segundo um balanço do site Trampos, pode iniciar com R$ 2.500,00 e chegar a R$ 15.000,00.

Segundo a pesquisa de perfil de profissionais da Stack Overflow, realizada no início de 2020, o salário médio anual pago a um DevOps é de US$ 68 mil. Nos Estados Unidos (único país disponível no estudo), o salário médio anual é de US$ 125 mil. O rendimento, portanto, coloca a pessoa que se dedica a essa carreira entre as mais bem pagas no mundo.

Apesar disso, o percentual de pessoas trabalhando nesta área pode ser considerado baixo. Segundo a pesquisa, apenas 12,1% se declararam DevOps no mundo, enquanto que nos Estados Unidos esse índice é um pouco maior: 13,9%.

Geralmente, o (a) profissional tem graduação em Ciência da Computação ou algum curso paralelo, como Sistemas da Informação ou cursos técnicos.

O mercado pede conhecimento em metodologias ágeis e domínio dos mais diferentes sistemas operacionais, como Windows e Linux, além da fluência em linguagens de desenvolvimento de softwares. 

Entre as habilidades mais buscadas nesses (as) profissionais estão:

  • trabalhar bem em equipe;
  • ter boa comunicação;
  • ser proativo;
  • ser detalhista;
  • trabalhar bem com prazos;
  • saber compreender as necessidades dos clientes;
  • ser organizado.

Com a palavra, os DevOps…

A Coodesh ouviu DevOps para saber mais sobre a rotina, os desafios e as habilidades mais importantes na carreira. Confira o resultado abaixo.

Igor Araújo

Igor Araújo é de Brasília-DF e ingressou há menos de um ano na carreira.

Fluxo de trabalho: Normalmente integro projetos criando pipelines de CI/CD para cada projeto, desenvolvendo arquivos para montar novas instâncias de deployments/services/configmap/hpa/virtual-services, entre outros arquivos para subir uma aplicação para o K8S, além de trabalhar com service mesh e a observação de mudanças dentro do contexto de cada aplicação para entender como deixar a aplicação up time e melhorar o desempenho.

Resistência: Normalmente as equipes/empresas acreditam que ter um DevOps seja um luxo, demorei muito para conseguir trabalhar em uma empresa que me desse a oportunidade de somente trabalhar como DevOps, antes disso eu dividia minhas funções entre dev e Devops.

Desafios: Hoje eu não encontro mais tantas dificuldades, pois a empresa que estou leva muito a sério a cultura DevOps e a importância de ter aplicações up time. Mas já tive muitos problemas, principalmente pela falta de pessoas que entendam a necessidade de um DevOps no time.

Principais habilidades: Acredito que entender sobre CI/CD e alguma ferramenta do mesmo, sobre o fluxo do software, para entender como aquele projeto funciona, Docker, K8S, helm, nginx, entre outros.

Nelson Assis

Nelson Assis trabalha em Vancouver, no Canadá, e é DevOps há cerca de 3 anos.

Fluxo de trabalho: Muito variável, a depender da época do ano, projetos e clientes.

Resistência: Atualmente, não. Inicialmente, bastante. Geralmente a resistência dos times de Dev e TI não duram mais do que 3 meses por time.

Desafios: Falta de standards para ferramentas e a cultura de fazer correções manuais sem o commitment de fazer o backfill. Isso se aplica a mim também.

Principais habilidades: Entender o fluxo de trabalho dos times, conhecimento em scripting languages, conhecimento de operações e análises. Além de entender a demanda do cliente e time management.

Lucas Herculano

Lucas Herculano é de Belo Horizonte e trabalha na área há cerca de 1 ano.  

Fluxo de trabalho: 50% operations e 50% engineering (at least i’m trying do that)

Resistência: sim, sempre…

Desafios: Pessoal resistente a experimentar e aprimorar os novos processos.

Principais habilidades: saber trabalhar com pessoas, ter resiliência e saber propor soluções para aproximar o dev do trabalho de operações e vice-versa. Ter entendimento básico de alguns processos enraizados sobre integração, entrega e implementação contínua, mesmo que essas sejam implementadas de maneira árdua na empresa. Entender da necessidade de feedback, aprendizagem e outros processos, por exemplo. É importante entender esses fluxos, saber se comunicar e, depois disso tudo, entender e conhecer tecnicamente como algumas ferramentas focadas em DevOps podem ajudar nesses processos.

Conclusão

Para concluir, o papel de um DevOps é semelhante a de um maestro numa orquestra, mas a diferença é que ele precisa também “tocar o instrumento”, ou seja, “colocar a mão na massa” sem medo de sujar as mãos. Isso porque o objetivo é fazer o trabalho fluir.

A Coodesh é uma startup voltada ao recrutamento e seleção de talentos tech para a área de desenvolvimento. Além disso, possibilita montar squads eficientes para as necessidades dos seus clientes.

Portanto, a plataforma tem duas frentes: o cadastro de vagas para DEVs por parte dos empreendedores e a busca ativa de oportunidades por desenvolvedores.

Nesse sentido, também há oportunidades para DevOps, mas como a abertura e o fechamento dos processos são bastante dinâmicos, é importante conferir com frequências nossas redes sociais e site para identificar novas oportunidades. Aproveite e acesse a seção de vagas da Coodesh.

Escrito por Gizele Silva

Formada em Jornalismo pela UEPG e especialista em Mídia e Política. Experiência de 18 anos em jornalismo diário. Desde 2017, atua com Marketing de Conteúdo. Atualmente, sou produtora de conteúdo da Coodesh.

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